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Computadores que consomem menos energia, usam menos matéria-prima e economizam espaço na hora de transportar - para Michael Dell, o verde do meio ambiente combina com o das notas de dólar

O executivo americano Ken Musgrave, chefe da área de design da Dell Computers - segunda maior fabricante de computadores do mundo, com faturamento de 61 bilhões de dólares em 2007 -, atravessa um labirinto de baias até chegar a uma sala com vários computadores sobre uma bancada. Seu objetivo é mostrar um dos produtos recém-lançados pela companhia. Trata-se de um PC de mesa, mas que em nada lembra os desktops convencionais. Musgrave coloca o pequeno retângulo de acrílico vermelho ao lado de um PC normal, uma trivial caixa de alumínio cinza-chumbo. “Ambos têm as mesmas funcionalidades e capacidade de processamento”, afirma Musgrave, em pé, diante das duas máquinas. “A diferença é que o modelo novo tem quase um quinto do tamanho do antigo e, portanto, precisa de muito menos material para ser fabricado. Fora isso, consome quase 70% menos energia.”

Responsabilidade do começo ao fim
Motivações à parte, o fato é que a Dell vem fazendo esforços e colhendo resultados relevantes em várias frentes. Em agosto, a empresa anunciou ter neutralizado as emissões de carbono de sua operação, a primeira do setor a alcançar o feito. Na prática, a Dell conseguiu compensar as emissões de gases causadores do efeito estufa de um ano de funcionamento - o cálculo considera os gases gerados na fabricação das matérias-primas compradas pela empresa e os emitidos na geração da energia consumida em suas instalações, além de emissões do combustível queimado no transporte de produtos e até de executivos em viagens de avião a trabalho. Parte da compensação das emissões ocorreu pelo aumento do uso de energia renovável. Entre 2005 e 2007, a Dell dobrou as compras de energia proveniente de combustíveis não fósseis. O restante foi compensado com a aquisição de créditos de carbono - títulos que dão à empresa o direito de emitir determinada quantidade de carbono, como os comprados da ONG Conservation International, que cuida de uma floresta tropical em Madagascar. A lógica, nesse caso, é que as árvores absorvem carbono, compensando as emissões causadas pelo funcionamento dos negócios.

Os novos projetos também são avaliados segundo o critério ambiental, passando pelo crivo de uma diretoria responsável por garantir que os produtos sigam normas internacionais de engenharia e responsabilidade ambiental. Essa diretoria trabalha em conjunto com todas as áreas da Dell. Uma de suas funcionárias participou das especificações da fábrica brasileira de Hortolândia, no interior de São Paulo, inaugurada em 2007. Nas cinco vezes em que veio ao Brasil, Sarah Gibson ajudou a estabelecer a mudança de tecnologia que faz com que as esteiras das linhas de montagem funcionem somente quando necessário, não mais ininterruptamente. O objetivo é economizar energia. Até o carpete entrou nas especificações. No mundo todo, a Dell só compra carpete de fornecedores que se responsabilizam pela reciclagem do piso antigo. “Reduzir e reutilizar são verbos com os quais trabalhamos o tempo todo”, diz Sarah.

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