Estudos mostram que as empresas que investiram em publicidade durante as recessões foram as que se saíram melhor quando o motor da economia voltou a girar
Nas últimas semanas, uma coleção de más notícias elevou ainda mais o grau de apreensão entre as empresas sobre os já alarmantes impactos da crise financeira global. O PIB dos Estados Unidos já enfrenta uma retração de 0,3% e 240 000 postos de trabalho foram ceifados no país. O índice de desemprego americano foi de 6,5% em outubro, o pior desde 1994. Uma pesquisa divulgada pelo banco Goldman Sachs no dia 10 de novembro aponta que a crise provocará perdas de 1,4 trilhão de dólares em todo o mundo, dos quais 800 bilhões já foram contabilizados. No Brasil, as empresas já sentem o aperto da redução do crédito e muitas delas começam a fazer prognósticos pessimistas quanto ao futuro. Em um cenário cheio de incertezas como esse, chamam a atenção iniciativas como a do presidente da subsidiária brasileira da Danone, o argentino Gustavo Valle. No mês passado, a multinacional francesa iniciou uma ofensiva agressiva para lançar um novo produto no mercado brasileiro. Trata-se de uma água mineral, produto completamente novo para a Danone no país, onde enfrentará concorrentes já estabelecidos, como Coca-Cola e Nestlé. Ao mesmo tempo, Valle aumentou em 10% seu orçamento de marketing e publicidade para todos os produtos da marca. “Sei que não é uma frase muito original, mas a verdade é que, muitas vezes, as crises podem se transformar em grandes oportunidades”, diz ele.
Essa não é uma experiência nova para o executivo da Danone. No início da década, quando era diretor de uma das divisões da multinacional francesa na Argentina em meio à violenta crise econômica que assolava o país, Valle apostou na criação de novos produtos (entre eles uma água mineral) e aumentou em 30% os investimentos em publicidade e marketing. Em poucos meses, a Danone passou da décima para a primeira posição no ranking de anunciantes do país e a água lançada pela empresa, levemente gaseificada e aromatizada, tornou-se, em apenas um ano e meio de mercado, responsável por 25% de todo o faturamento da multinacional na Argentina. No Brasil, Valle pretende seguir a mesma estratégia e já prepara outros lançamentos para 2009, um ano que, segundo oráculos da economia, deve ser marcado por uma forte desaceleração na economia global. As vendas da Danone no mercado brasileiro em setembro e outubro, meses que formaram o epicentro da eclosão da crise financeira, cresceram cerca de 15%. “Investir em publicidade em períodos turbulentos fortalece a marca perante os consumidores”, diz Valle.
Fonte: Revista Exame
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